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Maré vermelha atinge a costa do extremo sul do Brasil.(Março/2004) PDF Imprimir E-mail

Maré vermelha atinge a costa do extremo sul do Brasil

Trichodesmium é uma cianobactéria filamentosa fixadora de nitrogênio atmosférico.

Entre outros pigmentos (clorofila – a, ficocianinas), as células possuem grande quantidade do pigmento vermelho ficoeritrina. Sua capacidade de assimilação do nitrogênio e de incorporação do carbono faz com que ela possua grande importância na ciclagem biogeoquímica na interface ar/oceano da cadeia trófica marinha. Seu crescimento é geralmente limitado pelas concentrações de ferro, importante na fixação do nitrogênio, e pelo fósforo inorgânico associado ao fósforo orgânico dissolvido. Assim, florações de Trichodesmium podem também estar associadas a eutrofização costeira e são uma forma reconhecida de marés vermelhas.

A ocorrência de uma floração de Trichodesmium na região costeira do extremo Sul do Brasil durante os dias 29/02 e 04/03 da temporada de verão de 2004 foi registrada na Praia do Cassino, Município de Rio Grande, na altura da praia da “Querência”. A grande quantidade de células presentes na água fez com que essa adquirisse uma coloração avermelhada, que favoreceu a associação com o termo popular “maré vermelha” (termo associado no local a uma floração de dinoflagelados ocorrida na região do Hermenegildo em 1998). A estimativa dos valores de contagem celular dessa floração ficou acima de 16 milhões de células (vide foto 1) por ml de água, e a estimativa da clorofila-a foi de cerca de 13 mil mg por litro (valores considerados normais ficam, geralmente, entre 5 e 20 mg por litro).

Durante o cruzeiro de retorno da Operação Antártica XXIII do Navio de Apoio Oceanográfico Comte. Ary Rongel, da Marinha Brasileira, a parte oceânica dessa floração de Trichodesmium foi observada na forma de uma “mancha” na superfície da água. Essa mancha se encontrava com, pelo menos, 20km de extensão e a cerca de 12 milhas da costa do Rio Grande do Sul, na região à altura da Lagoa do Peixe (32°03'50''S, 051°03'50''W). Foi realizada a coleta de água superficial com balde e as amostras foram concentradas com rede de fitoplâncton (malha 77µm) para posterior contagem por microscopia óptica.

Na mesma época da ocorrência da floração de Trichodesmium, e na mesma região da Praia do Cassino, foi também registrada a ocorrência de grandes quantidades de briozoários bentônicos (vide foto 2), organismos semelhantes a corais na forma e na aparência, onde cada “célula” contém um indivíduo zoóide semelhante a um pólipo, que juntos formam uma grande colônia. Também foi observada a presença de tunicados, os quais são, evolutivamente falando, os primeiros organismos marinhos a apresentarem notocorda, sendo os precursores dos peixes e atuais vertebrados. Ambos organismos também são característicos de águas oceânicas, sugerindo que o inóculo de Trichodesmium, ou seja, a concentração original de células que chegou à costa, e da qual se desenvolveu a floração, pode ter sido trazido à região costeira de áreas oceânicas afastadas. Nos dias em que houveram as mais elevadas concentrações de células na água, a direção do vento manteve-se Leste, facilitando o acúmulo na região intermareal. Os valores de clorofila-a chegaram a atingir uma média maior que 26 mil µg/L nos dias de floração. O pH da água do mar, normalmente 8,0 na zona de arrebentação, diminuiu significativamente para 5,5 com o aumento da biomassa dos organismos. A temperatura média da água nessa semana foi de cerca de 28°C e a salinidade média, nessa região da Praia, foi de 25,2 devido à diluição pelo aporte fluvial da Lagoa dos Patos. Os parâmetros ambientais medidos na água oceânica, à cerca de 12 milhas da costa, apresentaram uma salinidade de 38 e uma temperatura média de 25°C, caracterizando a influência da Corrente do Brasil durante esse período amostrado nesta região, conhecida como zona de convergência subtropical.

Foram realizados, no Biotério da FURG, testes toxicológicos para a determinação de hepato e neurotoxinas. Os testes foram feitos em camundongos com injeção intraperitonial de extratos liofilizados, amostras acidificadas e amostras naturais da floração na região costeira e da região oceânica, resultando em toxicidade negativa durante 24 e 36h de experimento.

Não foram registrados casos de intoxicação ou alergia em banhistas, nos postos de saúde locais, como conseqüência direta da ocorrência dessa floração de Trichodesmium. Porém, farmacêuticos locais registraram 03 casos de alergia e irritação cutânea no mesmo período de ocorrência da floração. Para uma melhor avaliação do risco da exposição dos banhistas às substâncias alergênicas de cianobactérias estão sendo desenvolvidos bioensaios específicos que possam subsidiar a legislação de balneabilidade em praias adjacentes a estuários que apresentem histórico de ocorrência de florações de cianobactérias.

 

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