Biomagnificação
de Cianoneurotoxinas pode ser causa de esclerosis/Parkinson e Alzeimer.
Em Novembro de 2003,
os pesquisadores norte-americanos
Paul Cox, Sandra Banack e Susan Murch publicaram na Revista de Ecologia da
PNAS (PNAS, 100, 23: 13380-13383) um trabalho que associava
o complexo de doenças neurodegenerativas: esclerosis/Parkinson e demência
com a presença cumulativa de
um aminoácido modificado o b
- metilamino – L – alanina (BMAA) nos ecossistemas da Ilha de GUAM.
A ilha de GUAM uma das muitas ilhas da Micronésia, tem nos hábitos
da sua população nativa, os chamorros,
a causa principal do alto risco e disseminação da doença segundo
apresentado pelo trabalho. As
cianobactérias do gênero Nostoc presentes na Ilha, quando de vida livre
acumulariam até 0,3 mg/g
de BMAA no seu peso celular. No entanto quando em simbiose nas raízes coraloides
de Cycas, a concentração de BMAA
sobe para até 37 mg/g
de peso seco da planta. O BMAA pode
entretanto acumular–se nas frutas
da Cycas em valores de até 1.161
mg/g
de peso seco. Os morcegos locais (chamados de “raposas voadoras”) alimentam-se
dos frutos da planta e podem acumular até
3.556mg
de BMAA por grama de peso seco. Aqueles morcegos do gênero Pteropus mariannus
são comidos pela população local, os chamorros, muitas vezes por semana. O
prato predileto da população
é uma receita de morcegos com creme de coco (veja
a receita em anexo
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filamentos de Nostoc |
planta de tamanho médio de Cycas, com seus ramos que podem atingira 8 m e 25 cm de diâmetro. A planta possui folhas verdes brilhantes. Vivem em regiões tropicais a subtropicais, inclusive no Brasil. As raízes coraloides de Cycas recebem como simbionte a cianobactéria Nostoc. |
Embora na árvores cicadeas o BMAA é proposto como uma defesa contra a herbivoria, os chamorros preparam também suculentas tortas e pudins usando os seus frutos. Em 1991, Spencer e colaboradores (Neurology 41, 62-66, 1991) já sugeria que o BMAA poderia ser a causa principal das freqüentes e progressivas doenças degenerativas: Parkinson, demencia e esclerose, que aumentavam em ocorrência na população de GUAM. Contra isto, Duncan e colaboradores (J. Pharmacol Exp. Ther. 258, 27-35, 1991) argumentou que as quantidades de farinhas com as sementes e frutos de Cycas ingerida diariamente deveria ser muito alta para aproximar-se a uma dose de efeito mensurável epidemiologicamente. A última fonte que completaria os níveis esperados à magnificação biológica veio da alimentação com os morcegos. Espécies do morcego analisadas em Museus provaram acumular altas concentrações de BMAA (Neurology 61, 387-389, 2003). Seis pacientes que morreram como vitimas de Esclerosis/Parkinson e Demencia apresentarm médias de 6 mg BMAA/g de peso seco do tecido do córtex frontal. Adicionalmente, 2 pacientes do Canadá que também morreram da doença de Alzheimer apresentaram 6,6 mg/g de peso seco de BMAA no tecido do cérebro. Como controle, 13 individuos que morreram sem apresentar sintomas de neurodegeneração, não apresentaram BMAA em seu cérebro.
O morcego Pteropus mariannus |
Em 2005, o grupo de Cox associou-se com especialistas
em cianobactérias (PNAS: 5, 5074-5078, 2005)
e resolveram promover uma avaliação criteriosa dos conteúdos de BMAA
em cepas de Nostoc isoladas de diversas simbioses com
plantas do gênero Cycas e Gunnera e liquens dos gên. Peltigera
e Anthoceros. Nesses, os
níveis de BMAA oscilaram de não detectáveis a
1.671 mg/g
de peso seco. Outras cepas de cianobactérias,
isoladas de diversos paises, inclusive produtoras de florações em corpos d'
água, não escaparam ao
“screening”. Entre essas, alguns gêneros responsáveis por eventos de
HABs (harmful algal blooms) como Cylindrospermopsis, Microcystis e Planktothrix
apresentarm valores de 6.478,
6 e 318 mg/g
de peso seco, respectivamente. Outras responsáveis pelos fenômenos de marés
vermelhas ( “red tides “) nas costas
Oceânicas como Trichodesmium apresentaram níveis de BMAA de até 145 mg/g
de peso seco.
Não existem estudos para
as cepas brasileiras destes gêneros. Assim urge que grupos de cianobacteriologistas
locais acelerem a implantação de
métodos de análise de BMAA nas amostras das florações brasileiras e possam,
contando com o apoio de neurologistas e epidemiologistas,
verificar frente as autoridades de saúde brasileiras níveis de risco
e exposição da população brasileira a estes compostos,
além das já conhecidas hepato- e neurotoxinas analisadas de rotina nas
águas de abastecimento do País (vide Programa AGUAAN neste mesmo
site).